Modelo denuncia assédio sexual em viagem de ônibus e tem dados expostos pela empresa
01/04/2025
(Foto: Reprodução) Segundo seu relato, ela acordou com a mão do passageiro ao lado sobre sua perna e percebeu que o homem estava com o zíper aberto. A Nova Itapemirim emitiu uma nota de esclarecimento e repúdio, mas expôs dados da vítima enquanto ocultava informações sobre o acusado. Modelo é assediada, denuncia e tem dados expostos por empresa prestadora do serviço
A modelo e estudante Raquel Possu, de 25 anos, denunciou em suas redes sociais que foi vítima de assédio sexual enquanto retornava de uma viagem de São Paulo para o Rio de Janeiro, a bordo de um ônibus da empresa Nova Itapemirim.
Segundo seu relato, ela acordou com a mão do passageiro ao lado sobre sua perna e percebeu que o homem estava com o zíper aberto e o pênis exposto.
"Por ter acordado cedo para trabalhar, eu acabei cometendo o erro de cair no sono e sofri assédio sexual."
Depois de o caso vir a público, a Nova Itapemirim emitiu uma nota de esclarecimento e repúdio, mas expôs dados da vítima enquanto ocultava informações sobre o acusado (veja acima).
Em nota ao g1, a Nova Itapemirim disse que, após rigorosa apuração, não se constatou ato de importunação e que "preza pelo acolhimento e dignidade de cada passageiro, e seguirá colaborando para o total esclarecimento do caso, mas com responsabilidade" (leia nota completa abaixo).
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A empresa também publicou um comentário afirmando que os fatos "têm sido indevidamente divulgados nas redes sociais e por alguns indivíduos, com alegações infundadas que visam comprometer a imagem e a reputação da empresa".
A reportagem também questionou o Instagram sobre a postagem ainda estar no ar, mas informaram que não irão comentar.
Raquel conta que retornava de um dia de trabalho em São Paulo na terça-feira (25) quando sofreu o assédio. Ao despertar e perceber a situação, tentou se comunicar com o motorista por meio do interfone do ônibus, mas não obteve resposta. Diante disso, desceu as escadas do veículo e aguardou até a próxima parada para relatar o ocorrido.
Quando contei o que aconteceu, ele me deu duas opções: descer e sentar no primeiro andar do ônibus ou fazer uma denúncia. Eu disse que queria os dois, obviamente.
Na parada seguinte, o motorista acionou policiais rodoviários, que pediram a Raquel que identificasse o suspeito.
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Reprodução rede social
"Eles falaram para eu disfarçar, para que o homem não percebesse que eu tinha falado com a polícia. Voltei ao meu lugar e, sem qualquer constrangimento, ele também sentou no mesmo lugar", contou.
Na esperança de estar protegida, Raquel trocou de assento e desceu para o andar inferior do ônibus. No entanto, o motorista a chamou e informou que os policiais haviam sido deslocados para outra ocorrência e não iriam mais comparecer.
"Eu insisti, pedi as imagens, pois o ônibus tinha câmeras e não seria apenas minha palavra contra a dele. Mas o motorista apenas sorriu e disse que 'ele tem cara de pervertido mesmo'", relatou a vítima.
Depois, Raquel entrou em contato com um amigo enquanto ainda estava no ônibus e relatou o ocorrido.
O amigo, por sua vez, dirigiu-se ao terminal acompanhado da polícia, conseguindo impedir que o suspeito deixasse o local. Em seguida, todos foram encaminhados à delegacia, onde permaneceram até as três da manhã. Segundo Raquel, ela saiu de lá apenas com um boletim de ocorrência por importunação sexual, sem que nenhuma outra providência fosse tomada.
A Secretaria da Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que o caso foi registrado na 4ª DP de Presidente Vargas e que as investigações estão em andamento para esclarecer as circunstâncias.
O advogado da vítima, Pedro Henrique Teleforo, informou que a Nova Itapemirim ainda não cedeu as imagens nem informações do procedimento interno que a empresa alega ter feito.
"Nós já encaminhamos notificação extrajudicial via correio, mas eles não respondem, não atendem os Correios. Eles juntaram até no post que houve um procedimento interno, sobre o qual não ficamos sabendo e não tivemos acesso", informou.
Ainda segundo o advogado Pedro Henrique, a modelo não se sente mais segura em continuar em sua residência. Ele também informou que a Nova Itapemirim não anexou nenhum documento ao inquérito policial.
Em nota oficial da Itapemirim, eles informam que foram juntados ao inquérito policial os vídeos das filmagens e relatório analítico que comprovava que o crime não aconteceu. Porém, em consulta junto ao 4º DP do Rio de Janeiro, foi afirmado pelo escrevente que não foi juntado nenhum documento pela empresa. Tratando-se de outra tentativa de má fé para descredibilizar a vítima.
A defesa da modelo também solicitou a remoção da postagem onde todos os dados foram divulgados, mas até o momento da publicação desta reportagem o post continua no perfil da empresa.
O processo corre em segredo de justiça.
Em nota publicada pela Nova Itapemirim, a empresa disse que "repudia veementemente qualquer acusação infundada e manifesta seu total compromisso com a verdade e o respeito aos seus clientes."
"Informando que houve uma investigação interna assim que souberam do caso envolvendo a jovem. "Após análise minuciosa de 6 horas de gravação, não foi identificada nenhuma ocorrência anormal durante a viagem. Ressaltamos que não houve solicitação oficial da parte envolvida para acesso às imagens — que, inclusive, já foram anexadas ao processo e registradas na 004ª DP do Rio de Janeiro.
Nosso motorista, Sr. Márcio Freire, agiu com profissionalismo, realocando a passageira ao piso inferior do ônibus, assegurando sua integridade e o andamento da viagem
Seguimos comprometidos com a ética, a segurança e o respeito, e não compactuamos com informações distorcidas que possam comprometer a imagem da empresa ou de nossos colaboradores."
O que diz a Nova Itapemirim
"A Nova Itapemirim – Suzantur reitera seu compromisso com a verdade, o respeito e a segurança de todos os passageiros.
Assim que descobrimos através de uma de nossas publicações comerciais que tinha sido feito da apresentando nossa frota na cidade de Fortaleza (CE), a Sra Raquel Possu hospedou a sua postagem da Sra Raquel Possu nessa mesma nossa publicação.
Nesse momento, a empresa iniciou uma rigorosa apuração através do nosso comitê de crise em que foram analisandos mais de 6 horas de imagens sem identificar qualquer irregularidade.
Em todo o material comprobatório que inclui as gravações, não se constatou sequer aparente ato de importunação, e todos os materiais foram disponibilizados as autoridades competentes e isso está claro e evidente nos materiais disponibilizados a justiça, que com recursos periciais farão as devidas constatações.
Como o suposto caso envolvia dois clientes, sendo a primeira reclamante e o segundo o suposto denunciado, é inerente toda e qualquer verificação ser minuciosamente analisado para que a Nova Itapemirim não seja conivente, mas que também não seja infratora e venha causar mal à índole, humanidade e bem-estar de nenhum de seus clientes, pois não cabe a nós esse poder.
A empresa reafirma que preza pelo acolhimento e dignidade de cada passageiro, e seguirá colaborando para o total esclarecimento do caso, mas com responsabilidade.
A Sra Raquel Possu, recebeu toda assistência necessária e cabível desde o momento da interação com nosso motorista, que ocorreu somente após o onibus encostar na parada Graal Alemão em Queluz (SP), onde prontamente ela foi conduzida e se pôs a falar com os policiais da PRF ali presentes.
Como a Sra Raquel, questionada pelas autoridades não soube identificar quem seria o cliente, retornou ao seu local, na sequência todos os clientes subiram, inclusive o Sr Jeferson, o ônibus já com todas as luzes acesa do salão, iniciou-se a contagem dos clientes e logo o motorista sinalou discretamente a Sra Raquel para não constranger a ambos os clientes, e a realocou na poltrona 49 no piso inferior no serviço Leito Cama, onde seguiu em segurança até a cidade de destino.
Ao chegar no Rio de Janeiro, como a viatura da Polícia Civil já estava presente na plataforma, todos desceram, e a Sra Raquel Possu perguntou ao motorista se ele saberia dizer quem era o passageiro que havia sentado ao lado dela. O Motorista sinalizou e os policiais o abordaram e foram todos conduzidos a 4° Delegacia do Rio de Janeiro, onde inclusive todos os materiais comprobatórios físicos, analíticos, e vídeos ja foram entregues e protocolados sob o número 001/2025 - Comissária de Polícia Civil - desde então.
Importante frisar que, toda atitude suspeita, é sim tratada com seriedade e treinamento pelos nossos motoristas de forma rigorosa, onde o equilíbrio e a análise do ambiente também é parte do treinamento, pois uma atitude mal pensada poderia levar a algo mais gravoso e de agressão sem ser de fato dado causa ou responsabilidade. Por isso não é simplesmente “chamar polícia, alegar assédio, prender, punir, e a razão estar somente em quem faz a denúncia”.
No ônibus havia 27 clientes e em sua maioria mulheres. O Cuidado e responsabilidade se estende sempre a todos. O Sr Jeferson, inserido neste cenário, se dispôs imediatamente a autoridade policial de forma colaborativa, para que pudesse ser elucidado qualquer ruído de comunicação.
Cabe ressaltar,que o mesmo, sendo homossexual, conforme alegado em seu depoimento, e comprovado no contexto da análise das imagens, estava em posição desconfortável em sua poltrona, demonstrando sonolência, ao prostrar-se em posição contrária à Sra Raquel, impossibilitando qualquer chance de interação.
Ainda assim, a Sra Raquel não parou para de atacar a imagem e a empresa ITAPEMIRIM nas redes sociais como Instagram, TikTok, Imprensa e tudo que ela destina seu tempo, fazendo uma corrente orquestrada onde os seus seguidores vem de maneira frenética e demasiada espalhando discurso de ódio, com ameaças de incendiarem ônibus da ITAPEMIRIM, de que não somos uma empresa segura para viajar, entre tantos outros absurdos, além dos vídeos produzidos pela equipe de marketing da mesma ser de boa qualidade e com edições a nível profissional.
É DE SE PENSAR, QUAL OBJETIVO DE ATACAR UMA EMPRESA E NÃO SEU SUPOSTO “ASSEDIADOR” se ela teria todos os dados, e um advogado constituído para tal? Não cabe a ITAPEMIRIM entrar em nenhuma esfera que não seja a que ela sempre teve, treinar, capacitar, e promover viagens com segurança, pois nosso compromisso é com a verdade e a integridade de nossos clientes desde o primeiro até os mais de 2 milhões ja transportados.
Por fim, empresa zela por todos os seus passageiros, colaboradores e sua missão com a sociedade, atenta de forma justa, imparcial, e com amplo compromisso com a verdade".
Publicação onde os dados da vítima foram expostos e do acusado preservado pela empresa.
Reprodução
* Sob supervisão de Cíntia Acayaba