Corpo de policial da Core é enterrado; viúva foi acompanhada dos filhos da vítima
01/04/2025
(Foto: Reprodução) Principal linha de investigação é latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. A mulher dele, a juíza Tula Mello, do Tribunal do Júri, vinha em outro veículo. O carro dela foi atingido com 3 tiros, mas por ser blindado, ela nada sofreu. Policial da Core morto em vargem Grande é enterrado
O corpo do policial João Pedro Marquini, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), assassinado com cinco tiros de fuzil, na noite de domingo (30), foi enterrado no fim da manhã desta terça-feira (1º) no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio.
Pouco antes das 8h, a viúva, a juíza do 3º Tribunal do Júri Tula de Mello, e os três filhos do agente chegaram ao local. Abalados, eles receberam as condolências de colegas e amigos do agente.
Tula fez questão de cumprimentar cada um dos policiais da Core e colegas de trabalho do marido que estavam no cemitério para prestar as últimas homenagens. Muitos policiais fardados e à paisana participaram da despedida do agente.
“Policial fora da curva'
Tula de Mello e os 3 filhos do policial João Pedro Marquini, morto a tiros no Rio
Reprodução/TV Globo; Arquivo Pessoal
Colegas de farda de João Marquini carregam o caixão com o corpo do policial da Core assassinado
Henrique Coelho/g1
Fabrício Oliveira, coordenador da Core, onde Marquini trabalhava, contou sobre como o policial se destacava dentro da corporação.
“Policial fora da curva, foi destaque em todos os cursos que ele fez. Acima da média tecnicamente, como pessoa. Para a polícia é uma perda muito grande, para a família é uma perda irreparável”, afirmou.
Segundo Fabricio, Marquini estava se preparando para fazer um curso de atirador de precisão no Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Investigação
A principal linha de investigação é latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. Segundo a polícia, ele foi de carona com a mulher, a juíza criminal Tula de Mello, até a casa da mãe em Campo Grande. Lá pegou o carro dele, que tinha passado por um conserto.
A juíza seguiu o marido no carro dela. Na descida da Serra da Grota Funda, em Vargem Grande, a polícia diz que bandidos fecharam a pista.
A juíza Tula Mello e o policial João Pedro Marquini
Reprodução/TV Globo
Marquini vinha na frente, e a juíza, atrás. Ao perceber a ação dos criminosos, ele chegou a ligar para um amigo e deixou o celular no viva voz.
A juíza deu ré, mas os bandidos começaram a atirar. Marquini saiu do carro armado, mas não deu qualquer disparo. Foi baleado antes.
O carro da juíza foi atingido por três tiros, mas, como é blindado, Tula não se feriu.
Peritos recolheram no local apenas cápsulas de fuzil 556.
O policial João Pedro Marquini
Reprodução/TV Globo
O policial João Pedro Marquini
Reprodução/TV Globo
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Fuga dos bandidos
Carro que teria sido usado por bandidos no ataque ao policial da Core
Reprodução/TV Globo
Há informações de que os bandidos fugiram para a comunidade César Maia, em Vargem Pequena, que há mais de 1 ano é controlada pelo Comando Vermelho (CV).
Logo depois, a Core fez uma operação na região e encontrou o carro que teria sido usado pelos criminosos.
Os investigadores suspeitam que esse veículo tenha sido usado num ataque no Cesarão, em Santa Cruz, pouco antes do episódio que envolveu o policial e a juíza.
Há marcas de tiros no veículo de fora para dentro. O para-brisa traseiro está destruído.
Veículo ficou destruído
Reprodução/TV Globo
A principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) é latrocínio. Já existem suspeitos do crime.
Os bandidos, que teriam fechado a pista da Serra da Grota Funda para roubar carros, também levaram uma pistola do policial. Uma outra arma foi encontrada embaixo do banco do carona.
O casal teria se deparado com o bonde da comunidade César Maia, que é controlado pelo traficante Rodney Lima de Freitas, conhecido como RD.
O traficante Rodney Lima de Freitas, conhecido como RD
Reprodução/TV Globo
Marquini tinha 38 anos e estava há mais de 11 anos na Polícia Civil.
Ele era da Core e se destacou internacionalmente, no tradicional curso da Swat da polícia de Miami.
O policial deixou três filhos. Desde fevereiro do ano passado, Marquini estava casado com a juíza Tula de Mello, uma das quatro magistradas à frente dos tribunais do júri do estado.
A juíza Tula Mello e o policial João Pedro Marquini
Reprodução/TV Globo