Colombianas presas agendavam encontros, drogavam homens e roubavam contas no Rio e em SP, diz MP
01/04/2025
(Foto: Reprodução) Angie Paola foi presa na Colômbia e trazida ao Rio, e Karen Bedoya aguarda extradição. Entre as vítimas da dupla, há um advogado e um médico americano. Angie Paola Hoyos e Karen Bedoya
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O Ministério Público do Rio de Janeiro descobriu uma quadrilha de colombianos e brasileiros que marcava encontros por aplicativos de relacionamento, drogava homens e roubava suas contas bancárias, incluindo aplicações em criptomoedas.
Esse golpe é conhecido como "Boa Noite, Cinderela".
A investigação aponta que o golpe foi aplicado pela quadrilha ao menos três vezes, no Rio e em São Paulo. Entre as vítimas, estão um advogado e um médico americano. Eles perderam celulares, computadores e dinheiro investido.
Os encontros eram marcados por aplicativos de relacionamento. Segundo o MP, as colombianas Angie Paola Hoyos e Karen Vasquez Bedoya eram as responsáveis pelos contatos com as vítimas. Elas se apresentavam como empresárias e pediam orientação sobre criptomoedas. Esse era o começo do golpe.
Angie está presa desde 28 de fevereiro no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio. Ela foi detida em Bogotá e trazida ao Brasil. Karen está presa em Medellín e aguarda extradição. A Justiça brasileira já iniciou o processo.
"É a demonstração de que crimes praticados com a utilização de criptoativos não são anônimos. É possível identificar e aprofundar o levantamento", diz o promotor Fabiano Cossermeli.
O g1 tenta contato com os advogados de Angie e Karen.
"Não estar no Brasil não significa impunidade. Neste caso, tanto a Interpol como o governo colombiano deram grande apoio à nossa ação", afirma o promotor Diogo Erthal.
Investigação mapeou golpes desde 2023
Segundo as investigações, a quadrilha atua desde pelo menos fevereiro de 2023. Angie estava no Rio e Karen, em São Paulo. Ambas usavam nomes falsos.
No Rio, Angie começou a conversar com um advogado. Ela disse que queria investir em criptomoedas, mas não entendia muito do assunto. Ele se interessou e marcaram um encontro na casa dele.
No apartamento do advogado, eles beberam e ele perdeu a consciência. Quando acordou, estava sem o celular. Angie acessou sua conta bancária e transferiu R$ 3,2 mil e US$ 23 mil em criptomoedas, o equivalente a cerca de R$ 120 mil na época.
Depois do golpe, Angie e um casal de colombianos, também da quadrilha, foram para os Emirados Árabes e, de lá, voaram para Bogotá.
O MP denunciou o grupo por roubo. Com as investigações, os promotores descobriram a organização criminosa e o esquema de lavagem de dinheiro.
Em São Paulo, a investigação mapeou ao menos dois golpes. Um médico americano perdeu cinco cartões de crédito, computadores e um iPhone 13.
Nas buscas, policiais e promotores encontraram uma lista com 12 nomes de homens, possíveis alvos da quadrilha.